sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Boas Festas!



Amigos, já há muito que não venho aqui. Mas esta altura do ano é propícia a pensar em tudo o que passamos na vida. 

A C'ART 422 marcou a minha e MUITO!

Deixo-vos a minha mensagem de Boas Festas em nome pessoal e em nome da Companhia de Artilharia 422.

Um abraço do vosso Aires - 1º Cabo 2325!





A C'ART 422 deseja a todos os seus familiares e amigos um Santo e Feliz Natal, junto dos que nos são mais próximos e queridos.

Que o Ano Novo que se avizinha nos traga somente coisas boas!


quinta-feira, 16 de junho de 2016

O Aires da Pesada e a Energa



Uma de muitas operações militares da C'ART.422 ficou marcada por um episódio que nunca esquecerei.

A certa altura, , ao fim do 2º dia no "mato", e depois de alguns tiros esporádicos, aparece-nos ao longe uma clareira toda descampada.

Ora, os militares que iam na frente, davam ordens para parar e deitar-nos no chão.

A ordem que chegou a seguir foi que as metralhadoras avançassem para a frente.

O Aires, que tinha como arma uma ENERGA, foi "convidado" a trocar de lugar por um camarada que já seguia na frente há muito tempo.

A ENERGA, naquele descampado, não tinha muita utilidade.

Servia mais para destruir cubatas ou alguns obstáculos, tais como Guerrilheiros entrincheirados. Era quase como uma granada de longo alcance.

Quando avançamos mais uns metros, começa o tiroteio!

E nunca mais acabava... 

Quando tudo acalmou, alguém toca no ombro do Aires e pergunta:

- "Aires, estás bem?"

Respondeu que sim. Estava tudo bem...

- "No meio desta confusão, no meio desta poeira, pensei que tinhas sido atingido. Ainda bem Aires... Que grande alívio!"

A altura era propícia a emoções... Mas aquela atitude do nosso Capitão João Vila Chã, tocou os nossos corações.

Emocionou-nos!

Ainda hoje, nos encontros da C'ART 422, se fala deste episódio!

Um abraço meu capitão!

Bem haja!
Imagem retirada daqui:

domingo, 12 de junho de 2016

Mais um ano juntos, mais histórias!



Amigos, ontem foi dia de mais um encontro da nossa C'ART 422.

Foi um dia bom!
Valeu pelo convívio.

Deixo-vos hoje com uma foto minha com o nosso Capitão (Major) João Gonçalves Vila Chã.

Um abraço para todos do amigo Aires - 1º Cabo 2625



OBS: Vou ficar à espera das vossas contribuições para que este Blog continue a crescer!



quinta-feira, 2 de junho de 2016

Cartas da Guerra



Hoje vou falar-vos de uma coisa comum a quase todos os soldados de guerra... As cartas de amor.

Vai estrear um filme chamado "Cartas da Guerra", do Ivo Ferreira.

O filme é baseado num livro de António Lobo Antunes, que tem por título "D'este Viver Aqui Neste Papel Descripto - Cartas da Guerra", sobre o qual vou transcrever o prefácio e uma das cartas.

Bem haja a todos!

Um abraço do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


Do Prefácio

"As cartas deste livro foram escritas por um homem de 28 anos na privacidade da sua relação com a mulher, isolado de tudo e de todos durante dois anos de guerra colonial em Angola, sem pensar que algum dia viriam a ser lidas por mais alguém. Não vamos aqui descrever o que são essas cartas: cada pessoa irá lê-las de forma diferente, seguramente distinta da nossa. Mas qualquer que seja a abordagem, literária, biográfica, documento de guerra ou história de amor, sabemos que é extraordinária em todos esses aspectos (...) Este é o livro do amor dos nossos pais, de onde nascemos e do qual nos orgulhamos. Nascemos de duas pessoas invulgares em tudo, que em parte vos damos a conhecer nestas cartas. O resto é nosso."
Maria José Lobo Antunes
Joana Lobo Antunes

A Carta

7.3.71

"Hoje, domingo, passei a manhã numa cerimónia curiosa, a assistir à esconjuração de uma doente, para que a doença saísse de dentro dela. Como sou uma personagem de marca sentaram-me na única cadeira existente, dando a direita ao soba. Depois 3 homens tocavam tambor, a doente foi sentada numa esteira, e a malta dançava e cantava em volta uma melopeia estranhíssima. Estava um calor como não me lembro de ter sentido na minha vida, não havia uma única nuvem no céu e tudo brilhava e reluzia. Assisti à cerimónia por acaso, porque andava à procura de cachimbos e pentes. Aquelas coisas de madeira em que se faz o pirão, uma espécie de almofariz assim, mais ou menos trabalhado, ficava estupendo em nossa casa como cesto de papéis ou outra coisa qualquer. Há-os muito bonitos, mas são bastante pesados. Estou a pensar mandar fazer um baú para levar os objectos que por aqui vou juntando, e que nunca vi em parte nenhuma em Lisboa. Os bibelots ficam por minha conta. A fim de escolher só coisas que valem realmente a pena tenho passado o meu tempo livre a esquadrinhar os quimbos. Hoje, por exemplo, vi um cachimbo giríssimo mas não mo quiseram vender, apesar de eu oferecer a exorbitante quantia de 10$00. Tenho a impressão de que a tia Hiette, por exemplo, perderia a cabeça por estas paragens. Espero que não te horrorizes quando me vires chegar cheio de coisas para as quais, talvez, pelo número, não tenhamos lugar em casa. Vamos a ver se levo algumas em Outubro, quando aí for. E o mais incrível é que no meio disto tudo ainda só gastei 20$00."



Apreciem a leitura!




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Determino e Mando Publicar!



MOBILIZAÇÃO GERAL!

Atenção à chamada.

Queremos a família da C'ART 422 toda  presente!

Um abraço para todos do vosso Amigo Aires - 1º cabo 2625

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Juro e Jurarei... Que ao "Pré" e ao "Rancho", nunca faltarei!



Amigos, aproxima-se a data do encontro anual da nossa C'ART 422.

Não se esquecem de aparecer!

Um abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625

A C'ART. 422 na hora do Rancho!


terça-feira, 5 de abril de 2016

53 anos... Já?!?!?!?


O texto de hoje é do nosso Capitão Vila-Chã.

E já lá vão 53 anos! Incrível, não? Mas é verdade!

Um abraço para todos do vosso amigo Aires - 1º Cabo 2625


"Abril de 1963, partida da Serra do Pilar de 4 Companhias de Artilharia, rumo a Angola. Noite avançada, despedidas e votos de boa sorte, à Partida de Vila Nova de Gaia.

Ao Comandante da CART 422 coube comandar o comboio militar, rumo à Gare Marítima de Alcântara.

Cerca de 27 meses depois, agosto de 1965, o regresso.

Desembarcados do navio Quanza, em vivas à República e à Cristina, tínhamos pressa em chegar à estação de partida, Vila Nova de Gaia. O comandante do comboio militar, foi ainda o Capitão da CART 422.

Conforme combinado, cinco minutos de paragem no Entroncamento, para refrescar. O comandante do comboio confraternizou com os maquinistas. Não uma cervejola, mas duas.
O maquinista-chefe deu tolerância de até um quarto de hora. Passados 25 minutos, embarcava o último militar, por coincidência o "nosso cabo miliciano furriel da lenha" - o ilustre Costa. Finalmente, violando as regras de segurança, o capitão, convidado de honra, entrou na máquina.

Convidado a conduzir, era simples: roda a manivela para a direita, acelera, para a esquerda, reduz a velocidade. Bastava prestar atenção à sinalização, à velocidade permitida - 40 Km nas curvas apertadas, até 120 nas retas longas.

Conversa animada, já próximo da estação de Fátima, dando graças pelo bom regresso, ouve-se o estampido à entrada do túnel a alta velocidade. Delicadamente, o maquinista-chefe deitou mão à manivela, reduziu suavemente a velocidade, enquanto o capitão procura esconder-se. À passagem na estação, o chefe, empunhando a bandeira enrolada e olhando de soslaio os maquinistas, levou a mão esquerda à cinta, denotou preocupação e espanto.

Entra de novo ao serviço o capitão maquinista. Era preciso recuperar o atraso no Entroncamento. Numa curva com limite de velocidade de 60 Km, a máquina estremeceu, a 150 km hora. Ordem para reduzir velocidade depois de sair da curva. Só que a redução brusca de velocidade fez disparar fusíveis, disjuntores, enfim, centelhas com "cheiro de eletricidade". O comboio deu uns solavancos, casmurrou, parou. Do mal o menos. Para tudo se quer sorte.

Enquanto a rapaziada, autorizada por um guarda de passagem de nível, colhia figos. Pediu-se socorro. Duas horas mais tarde chegaram duas máquinas. Uma de puxa, outra de empurra. O atraso já causava preocupação em Vila Nova de Gaia. Chegaram a correr boatos de mau agoiro. Receção com bandas a tocar, flores, palmas, foguetes no ar. Na parada do RAP2, a CART 422 fazia a diferença. Militares aprumados, disciplinados, generosos e orgulhosos. De contentes, mal cabiam nas fardas. Não admirava, os cerca de 160 elementos da CART 422, regressaram com peso médio acrescido de 4Kg. O nosso famoso voluntário só trazia mais uma arroba, mais precisamente 16 Kg. Por isso se viam calças bem ajustadas aos assentos (leia-se rabos, ou cuses). Um bom vaguemestre... Vocês lembram-se.

À última voz de "destroçar", buscando cada um o seu rumo, ficou para sempre uma marca importante para tempos vindouros - AMIZADE.

Até sempre!

Um abraço do Vossso ORGULHOSO Capitão Vila-Chã.

Caldas de Vizela, 8 de junho de 2002."


Carmona 
Da esquerda para a direita:
Aires, Duarte mecânico, Rebelo e Franklim
(Paz aos que já partiram)


Numa ida a Carmona (Capital do Uíge)



Gaia - Devesas